Paixão Côrtes, a estátua viva do gaúcho dos deixou

28/08/2018

Irmanados ao sentimento de perda de prendas e peões neste mundo afora rendemos nossas homenagens ao baluarte e fundador do Movimento Tradicionalista Gaúcho João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, símbolo do gauchismo.

Nascido em Santana do Livramento em 12 de julho de 1927, filho de pai agrônomo e mãe com dotes musicais, Paixão carregou as duas marcas na paleta: formou-se em Agronomia na UFRGS, exerceu a profissão e chegou a ser funcionário da Secretaria de Estado da Agricultura, mas nunca negou a vocação para o trabalho com a música e as danças características da região onde viveu. Em 1939, aos 12 anos, mudou-se com a família para Uruguaiana. Em meados da década de 1940, já estava instalado na Capital estudando em regime de internato.

Homem que se transformou em símbolo do gauchismo, João Carlos D’Ávila Paixão Côrtesmorreu na tarde desta segunda-feira, 27.08.2018, aos 91 anos. O velório será realizado no Palácio Piratini.

Nossos sentimentos à família e à família gaúcha.

Que Deus o receba na Estância Celestial.

JOÃO CARLOS D´ÁVILA PAIXÃO CÔRTES

A primeira condução da Chama Crioula por cavaleiros aconteceu em 8 de setembro de 1947, do Altar da Pátria em Porto
Alegre, após os desfiles em comemoração à Independência do Brasil, quando foi retirada uma centelha do Fogo Simbólico da Pátria por um grupo de cavaleiros formado por João Carlos D´Ávila Paixão Côrtes, Cyro Dutra Ferreira e Fernando Machado Vieira e levado ao Colégio Júlio de Castilhos onde permaneceu até 20 de setembro, data em que se comemora o Dia do Gaúcho. 

Paixão Côrtes, foi o cavaleiro que coletou a centelha da chama, é estudioso da cultura gaúcha, reconhecido por ser um dos precursores do Movimento Tradicionalista Gaúcho, por suas pesquisas e obra literária e tem sua imagem eternizada através estátua do Laçador ou Monumento ao Laçador, que é a representação do Gaúcho tradicionalmente pilchado e teve como modelo o tradicionalista Paixão Côrtes. A estátua é obra do artista plástico Antônio Caringie foi inaugurada em 20 de setembro de 1958 na entrada principal de Porto Alegre, junto ao Aeroporto Internacional Salgado Filho. É sem dúvida, o mais verdadeiro e genuíno símbolo do espírito gaúcho.

A Chama Crioula é conduzida até o Colégio Estadual Júlio de Castilhos, onde em 1947, uma centena de professores e alunos, entre eles Paixão Cortês, Antônio de Sá Siqueira, Celso Campos, Orlando Jorge Degrazia, Ciro Dias da Costa, Fernando Machado Vieira, Cyro Dutra Ferreira e outros, fundaram junto ao Grêmio Estudantil o Departamento de Tradições Gaúchas, com a preocupação principal de preservar, desenvolver e proporcionar uma revitalização da cultura riograndense.

A Chama Crioula é o fogo que simboliza fertilidade, calor, claridade, ardor, paixão, hospitalidade e coragem. Simboliza, enfim, a Tradição Gaúcha. Representa o gaúcho idealizado no espírito heróico dos Farroupilhas, com os ideais de justiça e liberdade, visando a aproximação dos povos.

O primeiro CTG da história do tradicionalismo é fundado em 14 de abril de 1948 com o nome `35 Centro de Tradições Gaúchas` proposto por Barbosa Lessa, adotando o lema `Em qualquer chão, sempre gaúcho` proposto por Flávio Ramos. O símbolo composto do número 35 atravessado por uma lança da cavalaria é desenhado por Guido Mondin. Glauco Saraiva sugere uma nomenclatura campeira para os cargos de diretoria e departamentos para o centro e é eleito seu primeiro Patrão.

A Chama Crioula do CTG Rancho Crioulo, recebida das mãos de João Carlos D´Ávila Paixão Côrtes, em 12 de setembro de 2014, será denominada ´´Chama Crioula Paixão Côrtes`` e conservada em caráter permanente pelo CTG Rancho Crioulo em local especifico para esta finalidade no Candeeiro da Chama Crioula, aberto a visitação, como forma de preservar e perpetuar o Movimento Tradicionalista Gaúcho e prestar homenagem e reconhecimento aos idealizadores e fundadores do movimento, aos três primeiros condutores da Chama Crioula e seus companheiros idealizadores da 1ª Ronda Crioula do Tradicionalismo no Colégio Julio de Castilhos em Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul. 

A ´´Chama Crioula Paixão Côrtes`` permanecerá no Recanto Vale Verde, Linha Santa Bárbara, Francisco Beltrão, PR., onde ficará abrigada num rancho rústico, réplica do rancho simbolizado na bandeira do CTG Rancho Crioulo.

Em cerimonia realizada em 4 de fevereiro de 2018, dia em que foi eleita a terceira diretoria do CTG Rancho Crioulo, o Patrão Agustinho Müller, passou às mãos dos cavaleiros ElóisFelicio Rodrigues, Edson Ghettino e Antonio Carlos Serena a “Chama Crioula Paixão Côrtes” que a entregaram ao tradicionalista e Patrão Honorário do CTG Rancho Crioulo Rui Cunha Machado, que estará conduzindo a chama aos Estados Unidos da América para entregar à Confederação Norte Americana da Tradição Gaúcha, dia 3 de março de 2018, na cidade de Orlando, Flórida/USA, nas mãos dos cavaleiros Isaac Ribeiro, Volnei Rodrigues e José Luiz Lemes para entregá-la ao Patrão Presidente da Confederação Norte Americana da Tradição Gaúcha tradicionalista Vandenir de Souza para que mantenha acesa em caráter permanente e dissemine aos CTGs filiados, cumprindo o desejo de João Carlos D´Ávila Paixão Côrtes que ao acendê-la em 2014 declarou ‘Que ganhe o Brasil e o mundo, e se propague conforme se propagou o Movimento Tradicionalista Gaúcho’.

Patronagem do CTG Rancho Crioulo – Agustinho Müller




Paixão Côrtes, a estátua viva do gaúcho dos deixou